segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MÉTODO NIOSH




Falando ainda em Ergonomia, o post de hoje será uma referência ao artigo publicado no site: http://topergonomia.wordpress.com/2008/04/01/ferramentas-ergonomicas-niosh/. Que descreve com riqueza de detalhes um dos métodos mais utilizados para análise de riscos ergonômicos nos locais de trabalho, o método NIOSH.
O link acima pode ser acessado para conferir o artigo na íntegra.

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• Como surgiu o Niosh?

Em 1980, nos Estados Unidos, sob iniciativa do National Institute for Ocupational Safety and Health – NIOSH, patrocinou-se o desenvolvimento de um método para determinar a carga máxima a ser manuseada e movimentada manualmente numa atividade de trabalho – NIOSH – Work Practices Guide for Manual Lifting (1981).

Para isto, um grupo de pesquisadores reuniu-se para a formulação de um método consistente sobre o assunto, levantando referências bibliográficas de todo o mundo e concluíram que este método deveria levar em conta quatro aspectos básicos:

• o epidemiológico –> Que é o estudo das doenças, sua incidência, prevalência, efeitos e os meios para sua prevenção ou tratamento (Barbanti, 1994).

• o psicológico –> que considera o comportamento humano numa determinada situação. No caso do trabalho, observamos que a imposição de certas tarefas depende da aceitação do próprio trabalhador;

• o biomecânico –> levando em conta as estruturas e funções dos sistemas biológicos, usando conceitos, métodos e leis da mecânica;

• o fisiológico –> estudando as funções do organismo vivo. Procurou-se por meio da fisiologia do exercício, estudar as funções do organismo em relação ao trabalho físico.

• O que ficou estabelecido?


Estabelecido um critério não baseado em determinada carga, acima da qual seria problemático e abaixo da qual haveria segurança, nem se basearam em estabelecer uma freqüência máxima, nem uma técnica especifica para se fazer um esforço.

O método utilizado estabeleceu que, para uma situação qualquer de trabalho, no levantamento manual de cargas, existe um L.P.R. O L.P.R, uma vez calculado, compara-se com a carga real levantada, obtendo-se então o Índice de Levantamento (I.L).

Assim, estipula-se que se o valor do I.L, for menor que 1.0, a chance de lesão será mínima e o trabalhador estará em situação segura; se o valor for de 1.0 a 2.0, aumenta-se o risco; e se a situação de trabalho for maior que 2.0, aumentará o risco de lesões na coluna e no sistema músculo-ligamentar (Waters, 1993; Couto, 1995).


Segundo os pesquisadores uma carga abaixo dos limites recomendados:


• a incidência de lesões dorsais e de acidentes não aumenta significativamente;

• a carga limite induz uma força de compressão da ordem de 350 kg sobre o disco L5-S1, que pode ser tolerado pela maioria dos trabalhadores jovens e em boas condições de saúde;

• o gasto energético ultrapassaria 240 Watts quando a tarefa é superior a CLR;

• mais de 75% das mulheres e 95% dos homens são muscularmente capazes de levantar cargas   correspondentes a CLR.


• A Fórmula de cálculo

Limite de peso recomendado:

•LPR = 23 x FDH x FAV x FDVP x FFL x FRLT x FQPC ou;


•LPR = 23 x HM x VM x DM x FM x AM x CM

Onde o valor 23, corresponde ao peso limite ideal, quer dizer, aquele que pode ser manuseado sem risco particular, quando a carga está idealmente colocada, compreendendo:

•FDH (Fator de Distância Horizontal em relação à carga) = 25 cm;

•FAV (Fator de Altura Vertical em relação ao solo) = 75cm

•FRLT (Fator de Rotação Lateral do Tronco) = 0

•FFL (Fator Freqüência de Levantamento) menor que uma vez a cada 5 minutos;

•Pega da carga fácil e confortável (boa).


•Como realizar o cálculo?


Variáveis presentes na fórmula:

•FDH – corresponde a distância horizontal (em centímetros) entre a posição das mãos no início do levantamento e o ponto médio sobre uma linha imaginária ligando os dois tornozelos. Calcula-se divindo a constante 25 pela distância mensurada. Portanto se a carga está 30 cm de distância do corpo, teremos: 25/30= 0,83 (fator de multiplicação da fórmula)


•FAV – corresponde à distância vertical (em cm) das mãos com relação ao solo no início do levantamento. O cálculo se dá por meio da fórmula: 1 – (0,003 x [V-75]) – para alturas até acima de 75 cm e; 1 – (-0,003 x [V-75]) – para alturas até 75 cm . Lembramos que os números apresentados são constantes da fórmula e não devem ser modificados, cabendo apenas ao analista a mensuração da distância das mãos (na pega) no início do levantamento – Fator “V”. Por exemplo, se no levantamento de uma caixa sobre um palet de 20 cm: 1 – (-0,003 x [20-75]) = 0,835 (Fator de multiplicação)

•FDVP – corresponde à distância vertical percorrida desde do início do levantamento até o término da ação. Sua fórmula de cálculo é assim utilizada: (0,82 + 4,5/D); onde “D” é a distância total percorrida. Muitas pessoas acabam se confundindo neste fator em situações em que a carga encontra-se em alturas elevadas, como por exemplo esteiras rolantes (trabalho de sacaria). Nesta condição podemos encontrar alturas iniciais de até 200 cm (ou 2 metros). O que fazer? Na verdade o procedimento é o mesmo: se o trabalhador apanha um saco nesta altura e leva até o palet (40 cm), teremos: altura inicial (200) – altura final (40) = distância percorrida “D” (160 cm). Ai é só substituir na fórmula de cálculo: (0,82 + 4,5/160) = 0,85 (fator de multiplicação);

•FFL – o fator freqüência de levantamento é obtido por meio de uma tabela pré-estabelecida. Nesta tabela deveremos observar quantas vezes o funcionário realiza o levantamento dentro de um minuto, a duração desta atividade e a distância vertical (V) em que o levantamento acontece.
 
 

•FRLT – o fator rotação lateral do tronco como o próprio nome sugere, verifica a rotação em graus durante o transporte da carga. A fórmula de cálculo se dá por: 1-(0,032 x A). Então se um funcionário realiza uma pega a sua frente e leva até uma esteira lateral esse ângulo pode aproximar-se de 90º, então: 1-(0,032 x 90) = 0,71 será o fator de cálculo;


•FQPC – o fator qualidade de pega da carga segue alguns fatores mais qualitativos. A figura abaixo explicita algumas recomendações para se determinar a qualidade da pega:



• O Índice de Levantamento


O Índice de Levantamento (IL) do método Niosh é o que determina se uma atividade apresenta risco de lesão músculo esquelética e ainda quantifica esse risco.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o índice de 23 Kg amplamente difundido não é aplicável à todas as situações de trabalho encontradas; e sim o IL.

O IL nada mais é do que a divisão da constante (23 kg) pela multiplicação de todos os outros fatores como ja apresentados previamente.

A interpretação dos resultados segue os seguintes parâmetros:

• IL menor que 1,0 –> condição segura – chance mínima de lesão;

• IL entre 1,0 e 2,0 –> condição insegura – médio risco de lesão;

• IL acima de 2,0 –> condição insegura – alto risco de lesão.


• A utilização do método

O Niosh é um método amplamente difundido e utilizado no Brasil e no mundo. Podemos citar aqui algumas situações em que pode ser aplicado, mas não podemos nos restringir a elas:

• Análise de postos de trabalho;

• Perícias ocupacionais;

• Priorização de riscos entre diversos postos;

• Adequação à legislação;

• Simulação de projetos de melhoria – fazemos um parêntese neste ponto pois consideramos a melhor aplicabilidade do método. Por meio de simulações através dos diversos indicadores, podemos agir precisamente no posto de trabalho, melhorando os itens mais críticos ou até mesmo determinando a interrupção de uma atividade até que melhorias sejam feitas.


Segurança Sempre!





 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ANÁLISE ERGONÔMICA NO POSTO DE TRABALHO


Sabe-se que os distúrbios ergonômicos são responsáveis pelo número elevado de absenteísmo nas empresas. Muitos trabalhadores são vítimas de queixas constantes de dores lombares, punhos, dorsais, dentre outras em função da parcialização, rotinização e a massificação das atividades, sendo estes fatores que contribuem para a alta incidência de doenças ocupacionais.

A ergonomia é a adaptação do trabalho ao homem com o objetivo de melhorar a eficácia do sistema de trabalho, evitar o risco de distúrbios ocupacionais e, desta forma, favorecer a saúde do trabalhador (revista proteção, dez/2010). Através dessa premissa o profissional de segurança precisa analisar as atividades de alta repetitividade ou monótonas, avaliando o comportamento do profissional que a executa, observando através dos seus relatos os possíveis desconfortos e queixas ocasionados pela tarefa, para enfim agir adequadamente no controle desses riscos.

Para melhor prevenir os funcionários quanto as doenças ocupacionais relacionadas a ergonomia, o analista de segurança deve estar munido de ferramentas de análise adequadas para detecção desses riscos. O software ERGONOLÂNDIA (disponível no link abaixo para download) poderá vir a ser um aliado na identificação desses riscos. Sob a ótica da Ergonomia, este software permite avaliar as condições de trabalho,visando melhorar as condições inadequadas. O programa possui 20 ferramentas Ergonômicas destinadas a avaliar a situação dos trabalhadores, dentre elas destacamos os métodos de análises OWAS e NIOSH, muito utilizados por ergonomistas e fisioterapeutas.
O arquivo disponível para download é uma versão demo, que expira em 30 dias, porém vale a pena testar sua eficiência para futuramente adquirí-lo.




Segurança Sempre!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A nova NR-12


Algumas postagens atrás comentei o quanto nossa NR-12 estava desprovida de atualizações e informações prevencionistas no que tange a proteção de máquinas. Pois é, a  NR-12 mudou o conteúdo e até o título, agora chama-se "NR 12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos".
Essa nova versão dispõe de texto base com 19 ítens principais, três apêndices, sete anexos  e um glossário, com informações ainda mais detalhadas sobre as ações de prevenção de acidentes em trabalhos envolvendo máquinas, dentre elas destacam-se: prensas, injetoras, máquinas de panificações e açougues.

A atualização da NR-12 é um grande avanço para o trabalho de prevenção de acidentes no Brasil, visto que os acidentes envolvendo máquinas são responsáveis por muitas mutilações e até mesmo fatalidades nos trabalhadores brasileiros. O conteúdo da NR 12, está rico em informações importantes para os profissionais da segurança para melhor desenvolverem as análises das atividades com máquinas, realização de planejamento para manutenção, treinamento e capacitação dos trabalhadores envolvidos no processo, e até mesmo possíveis alterações em projetos ou substituições de máquinas que não venham a fornecer a segurança apropriada aos trabalhadores.

Outro detalhe interessante é a presença de algumas ilustrações que melhor detalham e exemplificam as diretrizes apontadas pela norma, facilitando ainda mais a compreensão do conteúdo pela área de segurança e administrativa da empresa, como também facilitando seu entendimento perante aos trabalhadores quando em treinamento. 
O link abaixo direciona até a norma que está disponível no site do Ministério do Trabalho.




Segurança Sempre!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO



Olá Pessoal, o tema abordado hoje está relacionado a qualidade de vida do trabalhador no ambiente de trabalho tendo em vista o cumprimento dos prazos e alcance de metas. Muito se ouve que através do fenômeno da globalização que tem como consequência nas empresas e indústrias a busca frenética para alcance de resultados e metas, são a tônica do mercado de negócios atualmente.


Por trás desse capitalismo desenfreado na qual se pensa somente em lucros e posições privilegiadas no mercado, as empresas impõem desordenadamente pressões para resolução de trabalhos e atividades há prazos considerados pequenos, fazendo com que os profissionais se submetam a jornadas extenuantes, tendo como futuros agravantes transtornos físicos e mentais.

Quando pensamos em prevenção de acidentes de trabalho logo pensamos na capacitação de funcionários e seu comprometimento com a causa, muito além disso, é necessário que o trabalhador perceba na empresa preocupação com seu bem-estar quanto ao desenvolvimento de suas funções, assim como de sua saúde mental no cumprimento dessas atividades em determinado prazo, pois sabemos que quando as metas não estão sendo alcançadas a prevenção muitas vezes é esquecida.

O SESMT em conjunto com a administração da empresa deve rastrear através de entrevistas e inspeções na área o comportamento do trabalhador no exercício de suas atribuições, a fim de detectar sinais de estresse e outros transtornos associados, para posteriormente tomar medidas eficazes e analisar os prazos e tempos estabelecidos para conclusão de suas atividades onde porventura possa afetar a saúde do trabalhador.

Atitudes como essa além de ajudar em reduzir os acidentes, propiciarão também aos funcionários melhor qualidade de vida no trabalho, refletindo diretamente para melhorar seu desempenho e maior comprometimento com a política da empresa, seja no cumprimento das metas de produtividade como na prática da segurança.

Para melhor orientar sobre o assunto veja o artigo no link a seguir, que tem como tema " Um Modelo para avaliação da qualidade de vida no trabalho em Universidades Públicas". Os conceitos e métodos abordados podem ser adaptados a realidade de algumas empresas ou direcionar a  idéias alternativas.


Segurança Sempre!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PROTEÇÃO DE MÁQUINAS



Uma das principais causas de acidentes, até mesmo fatais, estão relacionados a exposição dos trabalhadores na operação de máquinas nas quais suas partes móveis não dispõem de proteção. A NR-12 é a norma responsável em direcionar as medidas de segurança cabíveis, porém, na minha opinião deixa a desejar em alguns aspectos importantes.

Fazer o rastreamento e identificar as máquinas passíveis de gerar danos é imprescindível para aplicação futura de medidas de segurança. Para isso faz-se necessário conhecimento dos equipamentos, bem como das partes móveis nas quais o trabalhador está exposto, para assim definir o tipo de prevenção adequada ao grau do risco identificado. A aplicação de uma ferramenta de análise de risco seria interessante para auxiliar na tomada de decisão.

O Link abaixo trás algumas orientações para melhor compreensão do tema, abordando alguns ítens da NR-12 e CLT que facilitarão ao Analista e o Engenheiro de Segurança para desenvolvimento de estratégias e treinamentos direcionados visando o comportamento seguro nas operações envolvendo equipamentos, e na instalação de proteções  para enclausuramento de suas partes móveis.

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Segurança Sempre!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

TREINAMENTO EM SST UTILIZANDO NAPO


O NAPO são vídeos que de forma descontraída auxilia na capacitação de pessoas sobre situações de riscos e a aplicação de métodos prevencionistas. São muito utilizados em treinamentos de SST. O link abaixo direciona ao site da OSHA, na qual os vídeos estão disponíveis para download.

É importante a capacitação dos trabalhadores em SST, o profissional de segurança tem de dispor de bastante criatividade para atrair a atenção dos colaboradores, para que estes incorporem a cultura prevencionista, e se comprometam com a prevenção de acidentes.

A utilização do NAPO é uma idéia criativa de falar sobre segurança. Permitindo ao funcionários associar suas realidades de trabalho as demonstrações divertidas e educativas dos vídeos do personagem.



Segurança Sempre!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ESPAÇO CONFINADO



A postagem dessa semana nos trás como reflexão os trabalhos realizados em ESPAÇO CONFINADO. Para isso, antes de iniciarmos qualquer comentário sobre o tema, faz-se necessário conceituar tal expressão. Espaço Confinado, segundo a NR-33, "é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio."

Nesse sentido, algumas lembranças saltam a nossa mente, quando observamos alguns trabalhadores exercendo atividades no interior de determinados equipamentos, ou até mesmo em tubulações diversas, onde estas estruturas não foram projetadas para o deslocamento humano para que este realize movimentos livres e permita acessos para entrada suficiente de oxigênio.

O Trabalhador precisa ser informado quanto aos riscos associados aos trabalhos nesses locais, bem como os possíveis danos que possam causar a sua saúde. Alguns riscos com trabalhos realizados em espaço confinado são: ausência de oxigênio, soterramentos, choques elétricos, dentre outros. Para melhor estabelecer medidas preventivas, é preciso uma avaliação de risco coerente, com a presença do trabalhador, afim de observar outras situações de risco que possam ocasionar eventos danosos inesperados.

É importante, após analisar os riscos associados aos espaços confinados, treinar os trabalhadores envolvidos afim de capacitá-los com técnicas de prevenção específicas. Pois como a própria NR-33 aborda , é de responsabilidade do empregador "garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência e salvamento em espaços confinados".

O link abaixo é um livreto disponibilizado pela FUNDACENTRO, que visa orientar funcionários e gestores sobre as medidas prevencionistas em atividades realizadas em espaços confinados.




Segurança Sempre!